O consumo exagerado de analgésicos aumenta em 30% o risco de ataque...

O consumo exagerado de analgésicos aumenta em 30% o risco de ataque cardíaco

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Os analgésicos são utilizados livremente por boa parte dos brasileiros, apesar de constar a recomendação de uso apenas com recomendação médica. É muito comum achar nas farmacinhas caseiras, ou até nas bolsas algumas cartelas desses remédios. E cada pessoa tem um favorito para a dor de cabeça, para as dores lombares, cólicas e por aí vai.

Um estudo recente realizado na Dinamarca pelo Hospital da Universidade de Copenhagen descobriu que o uso exagero e sem prescrição de analgésicos, principalmente o ibuprofeno e o diclofenaco podem aumentar o risco de ataque e paradas cardíacas em até 30%. Este resultado foi obtido após análise de quase 30 mil pacientes com histórico de problemas cardíacos, comparando o uso desta categoria de medicamento meses antes do incidente.

A conclusão foi que, se comparado ao restante da população, aqueles que utilizam em excesso do ibuprofeno e o diclofenaco, tiveram uma chance em média 30% maior de sofrer um ataque cardíaco. O alerta é muito importante, principalmente no Brasil, onde esse tipo de medicamento pode ser comprado livremente sem indicação e receita médica.

Riscos dos analgésicos

Todas as pessoas deveriam utilizar qualquer remédio, e os analgésicos estão nessa categoria apenas com recomendação médica. Entretanto, sabemos que a realidade é bem diferente, até pela facilidade da compra dos remédios aliada a dificuldade do atendimento médico. Para aqueles que já tem histórico de problemas do sistema cardiovascular e predisposição genética, o uso de analgésicos e anti-inflamatórios deve ser controlado. É o que diz o cardiologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. Fernando Costa.

“Muitas pessoas nem sabem que têm algum problema cardíaco, não se previnem e acabam tendo comportamentos arriscados: fumar, praticar exercícios sem orientação e tomar remédios como esses, que aumentam o risco”, explica o médico. O alerta merece ainda mais atenção ao considerarmos que quase 1/3 das mortes – só no Brasil – tem causa cardiovascular, principalmente infarto.

Grupos de risco

O uso desse tipo de medicamento dificilmente está relacionado a efeitos colaterais consideráveis e acabam sendo necessários em muitos casos. Para pessoas saudáveis e fora do grupo de risco, o seu uso com parcimônia está liberado. O grande problema está no uso discriminado por s pessoas com algum tipo de doenças ou pré-disposição para doenças do coração. Por serem doenças silenciosas, muitas pessoas sequer sabem que tem algum problema no sistema cardiovascular.

“É até melhor quando as pessoas sentem dor ou algum outro efeito de problemas cardíacos porque elas procuram orientação médica. Mas muitas não apresentam sintoma e se colocam em perigo”, afirma Dr. Fernando, ressaltando que a população com 50 a 60 anos é a que apresenta maior chance de sofrer infarto.