O essencial antes de ir morar junto

O essencial antes de ir morar junto

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Chega um momento na vida de um casal que os fins de semanas e noites mal dormidas na casa do outro não são mais suficientes. Vocês já passaram da fase da escova de dente. Você já tem um verdadeiro guarda roupa na casa dele! Você não consegue mais dormir bem sem a companhia dele ao lado e aquele silencio deixou de ser constrangedor para ser um momento de intimidade incrível, chegou a hora de vocês morarem juntos.

A maioria dos casais não tem essa revelação sobre morar junto assim do nada. Tudo começa com a escova de dente, a calcinha no chuveiro, a encomenda que você manda para casa dele. Chega um momento que a ideia de ficarem separados soa até estranha. Hoje muitos casais moram juntos sem estar casados de fato. Já passou da época que a mulher tinha que sair de casa casada.

Se você está passando por esse momento, é bom saber algumas coisas antes de juntar os trapos e morar junto. E se engana quem acha que morar junto não é o ápice do compromisso. Sim, no final das contas, dividir a casa, a vida e as contas com o parceiro nada mais é do que um casamento. É o que diz Celia Lima, psicoterapeuta da Personare:

“Morar junto já é o próprio casamento: tudo já está sendo compartilhado, começando pelo espaço, passando pela divisão de tarefas e terminando com as despesas”, comenta.

Muitos casais encaram o morar junto como uma espécie de teste para o marítimo, um “Vamos ver se do certo”. Essa estratégia pode ser uma boa, para evitar mal-entendidos e desgaste na relação antes de assinar toda uma papelada. Com isso não queremos diminuir a importância do morar junto, mas que sim, esse período é um ótimo test-drive.

Depois de quanto tempo se pode morar junto?

A resposta para esta pergunta é super pessoal, e depende do ritmo de cada casal. Há casais que namoram a anos, cada um em sua casa, e outros que com meses de convivência passaram a morar juntos. Entretanto, para Celia Lima, no momento em que as “casas se misturam”, é um bom momento no relacionamento para morar junto.

“Ou seja, quando ambos passam mais tempo na casa um do outro do que na própria casa; quando não veem sentido em dormir sozinhos; quando se pegam planejando a compra de um móvel que acomode as coisas de ambos; planejando uma viagem para daqui a meses; quando percebem que juntos vão economizar mais que morando em casas separadas… talvez seja esse o momento de conversar a respeito de morarem juntos”, exemplifica a psicoterapeuta.

Antes do Casamento?

O aspecto religioso e a pressão da família ainda geram muita dúvida entre o casal que pretende mora junto antes do casamento. Por mais que antigamente o costume era sair da casa dos pais apenas quando casados, os tempos são outros e não há nada de errado em querer estar com o seu companheiro antes de assinar os papeis e somente formalizar o que já é real a algum tempo.

 “Podemos entender ‘morar junto’ como um ‘pré-casamento’. Mas, de fato, passar por essa fase não é garantia de que o relacionamento será duradouro depois do casamento formal. Trata-se de um período em que é possível estabelecer a diferença entre formar uma parceria afetiva real e ‘brincar de casinha’”, comenta a psicoterapeuta Célia.

“Se o casal for maduro o suficiente para encarar o desafio de construir um relacionamento, o casamento será apenas uma consequência natural. Mas, se for apenas uma experimentação vazia, um jogo, os problemas e desentendimentos infantis vão aparecer em pouco tempo”, destaca a profissional.

O se deve levar em consideração antes de morar junto

O amor é apenas um dos elementos do conjunto deste casal que decide morar junto. “É preciso ser bastante realista com relação à organização da casa, divisão de tarefas, divisão de despesas. Conversar muito a respeito do que o casal entende por compartilhar a vida é fundamental para evitar frustrações desnecessárias”, comenta.

“Quem gosta mais de cozinhar? Quem acorda mais cedo para preparar o café? É cada um por si? Vamos ou não ter um animal de estimação? Muito deve ser conversado, mas o cotidiano vai revelando o que precisa ser ajustado… O fato é que o casal ‘se aprende’ com a convivência”, destaca a psicoterapeuta Célia.

“Se esse casal ainda morava com os pais antes de tomarem essa decisão, eles vão ter que aprender a administrar o lar. Fazer compras, cozinhar, lavar as próprias roupas, pagar as contas da casa, dividir as despesas, são algumas situações novas com as quais vão se deparar”, lembra Célia Lima.

“Caso um deles ou ambos já morem sozinhos e, portanto, já saibam o que significam essas responsabilidades, eles terão que se preparar para fazer concessões, para ajustar seu modo de viver ao modo de viver do parceiro”, destaca a profissional.